6. GUIA 29.8.12

1. POR UMA NOITE EM SILNCIO
2. IMPLANTE PARA REDUZIR O RONCO
3. APNEIA NA INFNCIA

1. POR UMA NOITE EM SILNCIO
NINGUM GOSTA DE ADMITIR QUE RONCA, MAS AS ESTATSTICAS SO INEQUVOCAS: 45% DOS ADULTOS RONCAM OCASIONALMENTE, E 25% FAZEM BARULHO TODAS AS NOITES. O INCMODO CAUSADO AO PARCEIRO DE CAMA EST ENTRE OS MENORES PROBLEMAS RELACIONADOS AO RONCO.

     A serraria noturna pode ser sinal de apneia, um preocupante distrbio associado a males como hipertenso e diabetes. O ronco  produzido pela vibrao do palato (o cu da boca) e da vula (a campainha) quando essas estruturas relaxam e estreitam a garganta. Se a pessoa respira pela boca, o som produzido pela passagem do ar chega a atingir 85 decibis, nvel de rudo equivalente ao som do trnsito em uma avenida movimentada. A apneia ocorre quando os msculos da garganta relaxam a ponto de fechar a faringe e interromper a respirao por mais de dez segundos. Ao longo da noite, o apneico volta a respirar durante o que os mdicos chamam de microdespertares. So momentos breves em que se sai das fases mais profundas do sono, comprometendo a qualidade do descanso. Algumas pessoas esto sempre cansadas, mas passam anos sem saber que a apneia  a responsvel, diz a pneumologista Luciana Palombini, do Instituto do Sono, em So Paulo. A seguir, mdicos especialistas em distrbios do sono apontam os riscos do ronco e da apneia e sugerem meios de super-los.

RONCO
Causas: entre os fatores anatmicos esto o desvio de septo, o queixo retrado, do tipo Noel Rosa, e o cu da boca com curvatura acentuada. Sobrepeso e obesidade tambm causam o problema. Quem engorda por fora tambm engorda por dentro. A gordura deixa a garganta mais estreita, diz Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratrio do Sono do Instituto do Corao (Incor), em So Paulo. Em geral, as mulheres comeam a roncar aps a menopausa, quando a produo de estrgeno despenca. A queda do nvel desse hormnio favorece o aumento de peso e a flacidez na musculatura abdominal, o que faz com que a mulher passe a respirar pela boca e, assim, a roncar
Sintomas: o ronco, claro,  sempre notado por quem divide o quarto com o roncador. Quem dorme sozinho deve atentar para o cansao ao longo do dia: pode ser um sinal de ronco e sono deficiente 
Risco: estudos clnicos mostram que o ronco pode evoluir para a apneia do sono

Como tratar
Emagrecer: perder peso  a primeira providncia para se livrar do ronco 
Dormir de lado: os mdicos ensinam um truque para que o roncador permanea de lado durante a noite, posio em que se ronca menos: um bolso costurado nas costas do pijama, com uma bolinha de tnis dentro, evita que ele deite de barriga para cima 
Exerccios com fonoaudilogos: eles ensinam a respirar pelo nariz e reduzem a flacidez no palato, o que minimiza as vibraes e, como resultado, o rudo noturno 
Aparelho intraoral: desenvolvido por dentistas, um aparelho mvel mantm o queixo para a frente e abre espao na garganta para o ar entrar 
Alargador nasal: h acessrios para uso externo, utilizados por jogadores de futebol, e o dilatador intranasal, uma mola de metal, chamada de rinostent, que  colocada dentro do nariz. O rinostent  mais eficaz do que o alargador externo e  indicado quando o fator causador do ronco for a obstruo nasal, como desvio de septo, insuficincia das vlvulas nasais e rinite, explica o otorrinolaringologista Levon Mekhitarian Neto, especialista em distrbios respiratrios do sono 
Cirurgia: corrige caractersticas anatmicas que provocam o ronco, como desvio de septo e queixo retrado

APNEIA
Causas: a obesidade  um dos principais responsveis  70% dos apneicos apresentam sobrepeso ou obesidade. O distrbio  causado pelas mesmas condies anatmicas que ocasionam o ronco. Quando essas caractersticas so mais acentuadas, provocam episdios de apneia, explica a pneumologista Luciana Palombini, do Instituto do Sono,
em So Paulo
Sintomas: cansao e ronco so os principais sinais da apneia leve. Quem sofre mais de quinze interrupes da respirao por hora sente sonolncia durante o dia, apresenta dificuldade de concentrao e memria fraca, irritabilidade constante e dores de cabea matinais
Risco: para compensar a queda na concentrao de oxignio no sangue provocada pelas paradas respiratrias, o organismo eleva os batimentos cardacos e libera adrenalina. O processo aumenta o risco de hipertenso, derrame e infarto agudo do miocrdio. Cada interrupo da respirao estimula a ao da enzima xantina, que potencializa a captao de oxignio pelas clulas e resulta na formao de radicais livres, fator de risco para outra doena do sistema cardiovascular, a aterosclerose, diz o pneumologista Denis Martinez, do Hospital de Clnicas de Porto Alegre. A obesidade tambm pode ser debitada na conta da apneia, que interfere na ao dos hormnios leptina, da saciedade, e grelina, do apetite. Soma-se  lista de males o diabetes, uma vez que a apneia aumenta a resistncia  insulina, hormnio que leva glicose s clulas
Como tratar: o CPAP  a principal arma contra a apneia, de moderada a grave. Trata-se de uma mscara ligada a um equipamento que bombeia o ar para dentro das vias respiratrias, o que abre a faringe e impede os episdios de apneia. Dependendo do caso, o CPAP pode ser aliado aos tratamentos para ronco  de exerccios fsicos para perda de peso a cirurgias nas vias areas.


2. IMPLANTE PARA REDUZIR O RONCO
Um novo tratamento cirrgico pode significar o fim das noites maldormidas de muitos roncadores  e, de quebra, dos cnjuges. A tcnica consiste no implante de pequenos fragmentos de polietileno no cu da boca do paciente. A cirurgia  minimamente invasiva e pode ser realizada em consultrio, com anestesia local, explica o otorrinolaringologista Jos Antnio Pinto, do Hospital So Camilo, em So Paulo. O procedimento, j realizado nos Estados Unidos e na Europa, chegou ao Brasil neste ms.
Como a cirurgia  realizada: trs a cinco filamentos de polietileno medindo 18 milmetros de comprimento por 2 milmetros de dimetro so inseridos no cu da boca, prximo  vula (a campainha na entrada da garganta). Os implantes provocam uma fibrose no local. Ou seja, uma cicatriz enrijece a regio, o que reduz a vibrao do palato (cu da boca). O procedimento dura em torno de vinte minutos
Para quem  indicada:  preciso ter um perfil anatmico adequado para ser submetido  cirurgia. Uma avaliao mdica determina se o paciente tem amgdalas pequenas e o palato mais espesso para acomodar os implantes 
Recuperao: a dor no ps-operatrio  mnima e pode ser controlada com analgsicos. A cirurgia no oferece complicaes, e o risco de rejeio do organismo ao implante  inferior a 5%, explica Jos Antnio Pinto 
Resultados: estudos mostram uma reduo de 80% no ronco aps a cirurgia


3. APNEIA NA INFNCIA
Crianas e at bebs tambm esto sujeitos s interrupes respiratrias da apneia do sono que prejudicam a sade. Alteraes faciais congnitas podem causar apneia j nos primeiros meses de vida, mas o problema  mais comum entre os 4 e 5 anos, quando o crescimento exagerado das amgdalas e adenoide provoca o estreitamento das vias areas, explica a neurologista infantil Rosana Alves, coordenadora do Departamento do Sono da Academia Brasileira de Neurologia. Ronco frequente, portanto,  sinal de alerta.

Causas: alm da hipertrofia das amgdalas e adenoide (tecidos linfticos localizados na garganta), alteraes na formao da regio da mandbula, rinite alrgica e obesidade completam a lista de fatores que favorecem o surgimento da apneia em crianas

Sintomas: ao contrrio do que ocorre com os adultos, em que a apneia causa sonolncia diurna, as crianas com o distrbio passam o dia inquietas e agressivas. O sono  agitado, marcado por transpirao excessiva e terror noturno, situao em que a criana acorda assustada no meio da noite. O pequeno apneico costuma dormir em posies estranhas, que refletem o esforo da criana para respirar melhor

Riscos associados  apneia: hiperatividade e irritabilidade; baixo rendimento escolar, decorrente de dificuldade de concentrao; e atraso no desenvolvimento fsico, j que a apneia interfere na secreo do hormnio do crescimento. A criana com apneia grave tem os mesmos riscos cardiovasculares do adulto, como hipertenso e arritmia, explica a mdica Rosana Alves

Tratamentos: quando o problema  anatmico, indicam-se as cirurgias para remoo das amgdalas e adenoide e correo de alteraes faciais ou tratamentos ortodnticos com aparelhos mveis. Para reduzir o ronco provocado pela rinite alrgica, so prescritos medicamentos nasais e exerccios que ensinam a criana a respirar pelo nariz. O CPAP mscara de ar que estimula a respirao,  outro recurso eficaz

DANIELA MACEDO daniela.macedo@abril.com.br

